Às oito horas da noite, olhei para o térreo do apartamento, dois garotos discutiam sobre quem tinha vencido quem na competição de natação há poucos minutos antes, eles gritavam alto, eles chamavam-se Roberto e Robson, até que Roberto disse que não ia mais falar com o Robson, porque ele estava “roubando”. Houve um silêncio no condomínio por vários minutos, eu ainda os observava da sacada. Saí, fui pegar um copo de água e um cigarro, aquele silêncio até que demorado estava tedioso, o bairro inteiro calmo, as luzes da cidade faziam uma bela paisagem misturada com a fumaça do cigarro que tomava a sacada com o céu nublado e triste.
Foi apenas o tempo de pegar a água e o cigarro, o silêncio foi quebrado por uma gargalhada, ela era de Robson, que ria histericamente ao ouvir Roberto dizer que tinha nojo dos beijos que ele dava em Luana.
Lembrei-me dos meus dias de criança nos minutos seguintes, de quando mentir não era nada de mais, de quando beijar era nojento, dos namoros só de mãos dadas, de namorar e ser namorado, de quando era saudável se apaixonar perdidamente, me deu uma saudade de quando crianças, uma discussão era apenas uma discussão, porque ha dez minutos estaríamos brincando como se nada tivesse acontecido, eu sabia que eu merecia aquilo e mesmo assim martirizava-me por dentro pensando: “eu fiz isso comigo mesmo”. Sozinho, no ápice dos meus 20 anos, era uma sexta-feira, eu com certeza não deveria estar observando meninos brigarem numa piscina por causa de uma suposta “fraude” na “competição” de ambos.
Sabia que algum dia isso iria acontecer, só não sabia que seria tão cedo, tão doloroso, não sabia que poderia mudar tanto, não sabia que eu era como Roberto, tinha nojo de beijos, mas as crianças um dia crescem, hoje sinto nojo de mim mesmo, por fazer o que faço quase todas as noites, com milhares delas, cada uma diferente, só para esquecer uma pessoa.
Sei que isso não irá adiantar, sei que há alguém que ama a mim mais até do que eu amo Jéssica, sei que ela tentará me fazer feliz, com tudo que ela poder... Não sei porque simplesmente não me entrego a ela, mesmo sabendo que ela não me fará sofrer, talvez seja medo de estragá-la, logo ela, a melhor pessoa que eu já encontrei.
É às vezes eu sinto muita falta da infância, de como queríamos crescer e ser adultos rápidos.





2 comentários:
que triste, não quero nunca ter a minha crise de meia idade DDD: deve ser horrivel, ainda bem que ainda me acho criança (A) mas não tenho mais nojinho de beijos :P
É dificiu crescer e encara os verdadeiros temores da vida.
Quando crianças queremos ser adultas, quando adultos queremos voltar a ser cianças
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