Mais uma noite, mais uma lua no céu, sempre temos aqueles momentos em que ficamos fascinados com o firmamento, em como o universo consegue ser perfeito, como como a lua em si consegue.
Mamãe disse uma vez que meu nome devia ter sido Luna, quer dizer ela nem sabe o motivo de ter mudado meu nome. Ela disse que assim que nasci e que viu a lua na minha testa, disse que deveria ter colocado meu nome de Luna, ou qualquer outro nome relacionado a lua.
E sempre gostei dela, quando era pequena, devia ter uns 4 ou 5 anos de idade, morava com a minha avó, era uma fazenda enorme e a noite, os lobos uivavam, pareciam tão perto, a ponto de que se eu saísse no portão, poderia vê-los.
Eu nunca soube ao certo o motivo dos lobos uivarem para a lua, mas naquele tempo, era fascinante, assim como hoje ainda é. Eles uivavam, eu uivava, eles paravam, eu parava. Vovó vivia me gritando, mandando ir para dentro tomar chocolate quente, porque era frio demais lá fora, mas uivar pra mim era mais importante.
A vovó me chamava de loba, eu ria e fazia cara felina para ela, ela ria tanto e me contava histórias de homens que se transformavam em lobos, ela os chamavam de lobisomens, dizia que não existiam e eu nunca conseguia acreditar nela, sempre achei que podia sim isso acontecer.
Todos os dias perguntava à ela se existiam mulheres que podiam se transformar em lobos, ela sempre negava, dizia que não sabia disso, eu dizia que existia sim e que eu era uma delas.
Ela morria de rir e dizia: "não pode meu amorzinho, isso não é bom, é uma maldição, não quer uma maldição, eles não possuem alma, se é que eles existem."
E eu falava: "Vó, eles são seres da natureza, não tem como serem amaldiçoados, eles são, coisas de Deus, simplismente não podem e eu vou me casar com um desses um dia."
Ela ria mais ainda, a falta de fé da minha vó em mim, me magoava, mas eu sabia que não veria nunca as mesmas coisas do resto do mundo, então, apenas aceitei em achar só pra mim os lobos as criaturas mais perfeitas da Terra.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Os lobos
Postado por Ludmila Veyda às sábado, fevereiro 05, 2011
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