- Ei minha pequena, aquilo é um cavalo, certo?
- Não papai, é um lobo!
- Cavalo!
- Lobo!
Papai me pegava nos braços e levantava, eu parecia voar. Antigamente assim eram nossos dias diariamente, deitávamos no quintal lá de casa, enquanto mamãe fazia o almoço, umas dez horas da manhã, o sol estava alto, as nuvens formavam belos animais, o céu, estava azul, o mais belo dos azuis, mamãe nos chamava para ir banhar e almoçar, os tempos eram bons, viajávamos quase todos os finais de semana, íamos a uma fazendinha perto da cidade, banhávamos de riacho, passávamos pelos mais diversos tipos de árvores, algumas tão verdes e que dão uns frutos muito bons, papai chamava-as de mangueiras, outras, bastante secas, com galhos que mais pareciam cabides gigantes e ameaçadores, passeávamos por estradinhas, víamos passarinhos cantantes, algumas vezes, cruzávamos com sapos gigantes ao meu ver, no riacho eu brincava com os filhotinhos dos sapões amedrontadores, a minha vida foi boa, até meus 8 anos de idade, até que ele nasceu e tirou toda minha felicidade.
Com 4 anos de idade aquele ser, que tinha destruído minha vida já usufruía muito mais que eu na idade dele, eu só tinha 8 anos, que direito eles tinham de me abandonar? De me deixar para trás só porque mais um nasceu? Por que eles não podiam dar atenção a ambos? Os passeios com papai e mamãe não eram mais os mesmos, eu que antigamente nadava com os dois, hoje nado sozinha, os animais de nuvem não aparecem mais para mim, por mais que me esforce, minha vida estava coberta de trevas e eu não sabia se aquela cobertura um dia sairia. Papai prometera a mim que nunca me esqueceria, os dias em nossa cidade eram quentes, mas para mim eram como o inverno mais rigoroso de todos.
E hoje, penso que meus pais, não me amam de verdade. E não, não me isolo deles no meu canto, eu, sem sucesso tento fazer graça que nem o Gabriel, mas ao que parece não tem nenhuma, nunca irá ter, por isso, o melhor que farei, ou pelo menos é o que acho é mudar de casa, ou de estado, ou de qualquer lugar, para evitar mais tristezas a mim, pois quando peço para meus pais me dizerem que me amam, olho em seus olhos e vejo que não é verdade, meus olhos enchem-se de lagrimas, mas me sinto viva.
Por outro lado, isso me fez bem, porque me deu forças, para quem sou hoje e viver a vida, sem ilusões, nem irei sofrer por banalidades.
domingo, 28 de novembro de 2010
Lembranças
Postado por Ludmila Veyda às domingo, novembro 28, 2010
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